Lula venceu. E daí?
Chegamos ao day after. Já se passaram praticamente 24 horas da divulgação do resultado da eleição de 2026. Lula venceu Flávio Bolsonaro e, depois da festa de alguns e da ressaca de outros, o que realmente ficou?
Eu vejo um Brasil dividido. Lula venceu por uma diferença apertada. Quase metade dos votos válidos foi para Flávio. Isso não pode ser ignorado quando pensamos no futuro do país.
Ganhar a eleição é uma coisa. Governar é outra completamente diferente. E é aí que precisamos começar a ter mais responsabilidade.
Lula terá que mostrar o que pretende fazer de diferente, enfrentar os problemas que já existiam e explicar como vai cumprir o caminhão de promessas e benefícios anunciados durante a campanha. E, acima de tudo, respeitar quem votou contra ele. Lula é presidente de todos os brasileiros.
Mas quem se diz de direita também precisa fazer sua parte. E aqui cabe uma crítica aos exageros que tenho observado, principalmente nas redes sociais.
Não podemos aceitar comentários que diminuem o eleitor mais pobre, a empregada doméstica, o trabalhador braçal ou quem precisa de um benefício social.
O valor de uma pessoa não está no salário que recebe, no trabalho que faz ou no candidato em quem votou. Muito menos nas dificuldades que enfrenta.
Quem trabalha com as mãos não vale menos que quem trabalha no mercado financeiro. E ninguém precisa de diploma para entender sua realidade e fazer escolhas de acordo com suas convicções.
Podemos criticar o presidente eleito. Eu mesmo tenho muitas críticas a Lula. Mas humilhar pessoas, alimentar o ódio e fazer comentários preconceituosos é outra coisa.
As redes sociais ainda criaram um problema: muita gente parece mais preocupada em chamar atenção do que em apresentar argumentos ou propostas.
Passada a eleição, a direita tem todo o direito de fazer oposição, cobrar, fiscalizar e apontar os erros do governo. Mas respeitar o resultado das urnas também é respeitar as pessoas. Isso faz parte da democracia.
E fica o recado para Lula: a vitória não apagou as críticas ao seu governo.
A eleição acabou. Agora começa um novo Brasil.
