A guerra que afunda o Brasil
Nem bem terminou a eleição presidencial, o Brasil já estava diante de outra novidade. Flávio Bolsonaro perdeu para Lula e, logo depois, Alexandre de Moraes determinou a entrega de seus passaportes e proibiu sua saída do país.
Flávio viajou para os Estados Unidos. Não havia mandado de prisão contra ele, mas existia uma ordem judicial restringindo sua viagem.
E aqui está a questão: era realmente necessário tomar essa medida naquele momento?
Flávio é senador e tem garantias previstas na Constituição. Isso não o coloca acima da Justiça, mas também não dispensa o Judiciário de explicar por que uma medida tão séria é necessária.
A investigação precisa seguir seu caminho. Se existem provas, que sejam apresentadas e examinadas dentro da lei. Mas uma investigação não pode ser confundida com uma condenação.
Também não basta dizer que Flávio deixou o Brasil por medo de ser preso. Essa pode ser uma explicação para sua decisão, mas não resolve a discussão sobre o cumprimento da ordem judicial.
O que me preocupa é ver o país continuar preso a esse confronto entre políticos e integrantes do Judiciário.
A eleição acabou. Lula venceu. Milhões de brasileiros esperam respostas para problemas que continuam aí: saúde, segurança, emprego e custo de vida.
Enquanto isso, seguimos discutindo passaportes, decisões judiciais e acusações de perseguição política.
O STF precisa justificar suas decisões. Os políticos precisam responder à Justiça. E nenhum dos dois pode agir como se estivesse acima da Constituição.
O Brasil precisa de instituições fortes, mas também de limites claros para o exercício do poder.
Porque, no fim, quem paga a conta dessa guerra é o brasileiro que acorda cedo, trabalha e espera que o país finalmente cuide dos seus problemas.
Até quando vamos continuar assim?
